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    [S.O.S. Brasil]

    O porquê da peça "S.O.S. Brasil"

    Por que Saúde, Antônio?

    Desde jovem eu sempre achei que além do enorme trabalho dentro da VOTORANTIM, seria necessário para minha própria realização fazer algo mais em benefício dos mais necessitados.

    Por obra do destino, em 1962, apareceu-nos a oportunidade de adentrar a diretoria da Cruz Vermelha Brasileira da qual fui presidente durante quatro anos. Era um trabalho extremamente humano, pois tratava-se de um Hospital Infantil para crianças carentes. A grande maioria era proveniente do Norte e Nordeste e o principal mal era a desidratação causada por má alimentação.

    Chegamos a dar, naquela época, 600 altas por mês, constituindo-se, assim, a Cruz Vermelha de São Paulo, no maior Hospital Infantil do Brasil. Era um trabalho maravilhoso.

    Cruz Verde - 1966. Esta Associação contava apenas com 14 leitos em casa alugada. Um trabalho de senhoras destacadas de nossa sociedade. Era preciso crescer.

    Fomos ao brigadeiro Faria Lima, antigo prefeito de São Paulo, e fizemos uma exposição ao mesmo a respeito do problema existente e que era necessário expandir a nossa assistência às crianças portadoras de paralisia cerebral irrecuperável.

    Para nossa surpresa, em menos de dez dias, fomos aquinhoados com uma área cedida pela Prefeitura de São Paulo de aproximadamente 3.000 m2, com uma única condição. O prefeito fez questão de dizer-nos que gostaria de inaugurar este hospital.

    Aceitamos o desafio e, no final de três anos, o hospital estava pronto, com capacidade para atender 165 crianças portadoras de paralisia cerebral irrecuperável. Terminada a obra, pedi licença para sair, pois achava a situação muito triste, já que a cura total era impossível.

    Nos últimos 29 anos, venho presidindo a REAL E BENEMÉRITA SOCIEDADE PORTUGUESA DE BENEFICÊNCIA de São Paulo.

    Apesar de nos consumir em média 15 horas semanais, horas estas que, na grande maioria, estão além do expediente normal, exigindo muita energia, o esforço gratifica-nos pelo fato de estarmos ajudando os que realmente são necessitados.

    Cumpre destacar que 60% dos seus pacientes são oriundos do Sistema Unificado de Saúde que, como todos já sabem, paga muito pouco por seus dependentes. Resumindo: dos pacientes atendidos pela Beneficência Portuguesa, 60% são assistidos do SUS e representam apenas 22% do faturamento total. Este complexo hospitalar efetua um mínimo de 600 cirurgias do coração a cada mês e delas 80% são em pacientes do SUS. A mesma porcentagem ocorre na hemodinâmica onde cerca de 1.500 intervenções são realizadas mensalmente.

    Realmente, considero esta obra, fundada há 135 anos, como uma das mais importantes do sistema social de nosso País.

    SOS BRASIL nasceu da observação realizada nestes 37 anos de serviços hospitalares prestados à nossa comunidade.

    O que é a vida? Apenas uma grande lição de humildade, pois que o orgulho e a vaidade desunem os homens, enquanto a humildade e a seriedade os unem. Crescemos horizontalmente, ganhamos a fama e o poder, teremos nossa presença física reverenciada na Terra, mas, se não trouxermos conosco a luz reta da consciência a nos banhar a alma, aí sim, estaremos ombreando com os infelizes na marcha imprevidente para as ruínas do desencanto.

    Assim foram todos aqueles que nunca sacrificaram um pouco de seus prazeres para com os deveres da humanidade.

    Minha eterna gratidão a todos: senhor diretor, senhores atores e atrizes que no SOS BRASIL tiveram um desempenho simplesmente sensacional.

    Antônio Ermírio de Moraes