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Publicado na Folha de São Paulo,01/02/98
O governo e o porto de Santos
Focalizei na semana passada a triste situação das ferrovias de São Paulo que, com poucos investimentos adicionais, poderiam servir muito melhor o porto de Santos e, com isso, contribuir positivamente para a economia do país. Procurei deixar claro que a movimentação de carga no porto de Santos pode saltar das atuais 40 milhões de toneladas para 70 milhões de toneladas, colocando aquele porto na privilegiada situação de 15º lugar no mundo (atualmente em 31º lugar). Para tanto, bastaria uma racionalização dos serviços das estradas Mairinque-Santos, São Paulo-Santos e a própria ferrovia do porto, cujos investimentos mais pesados já foram realizados e estão à disposição de todos nós. O processo para superar os atuais entraves não é coisa do outro mundo. Ao contrário, ele depende de medidas simples que poderão auxiliar extraordinariamente as nossas exportações e importações e, por via indireta, a geração de empregos para milhões de brasileiros. Não pleiteio a autoria das sugestões a seguir apresentadas, pois elas foram há muito tempo formuladas pelos que militam no campo ferroviário. A primeira delas diz respeito à necessidade urgente de se partir para uma administração unificada das ferrovias que chegam a Santos. A Segunda se refere à necessidade de se implantar um sistema de trama de ramais no próprio porto. A terceira implica na construção de algumas interligações entre as três ferrovias. A unificação da administração, obviamente, traz uma imediata economia de recursos para as ferrovias – além de tornar o sistema operacional mais eficaz. Com os recursos poupados, poder-se-ia "bancar" a implantação de uma trama de ramais que viesse a permitir a livre chegada dos vagões junto aos navios, sem precisar de espera e manobras desnecessárias. As referidas interligações, por sua vez, são de pequena monta pois o grosso dos investimentos já foi feito. Não é minha intenção entrar nos aspectos técnicos dessa logística. Os profissionais da área sabem que ela é simples e viável. Com essa reforma no campo administrativo e uma pequena modernização no campo operacional, São Paulo estaria praticamente duplicando a capacidade do porto de Santos e cortando em mais de 50% o custo do transporte de carga escoada pela conjugação do transporte ferroviário com o transporte marítimo. Essa tarefa depende muito mais de vontade política do que de recursos públicos. Trata-se de um empreendimento de retornos rápidos e, sobretudo, duradouros pois, com isso, estaríamos mudando a face do transporte de carga em nosso País. Os que liderarem essa empreitada, além de ter seu nome definitivamente inscrito em nossa história, terão dado um grande passo na redução do famigerado Custo Brasil. Penso que vale a pena enfrentar essa parada. |