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Publicado na Folha de São Paulo, 31/03/91
Presunção: a marca da incompetência
Recebi o convite para escrever nesta coluna ao longo deste ano, com alegria e preocupação. Alegria de poder me dirigir diretamente a centenas de milhares de brasileiros que lêem este influente jornal. Preocupação por reconhecer a alta responsabilidade que isso envolve. Mas acho que vale a pena. A crise atual exige a intensificação do debate e a realização de ações sensatas. Esta coluna pretende contribuir para aquele debate de modo construtivo. Não me considero o dono da verdade – longe disso. A presunção é a marca dos incompetentes. É evidente que tenho limitações e defeitos. Por isso, estarei aberto às sugestões dos leitores. Usarei , no limite, o meu poder de ouvir e terei o prazer de comentar as idéias que chegarem a esta redação. Os artigos seguirão um critério inamovível: eles jamais serão dedicados a defender interesses de pessoas, grupos, partidos, esquerda ou direita. Ao contrário, as matérias serão sempre orientadas para o exame de ações que redundem, efetivamente, em benefício da coletividade. Para mim, o Brasil está e permanecerá bem acima de interesses particulares. Aceitei o convite por acreditar, com sinceridade, que a saída da crise atual está em nossas próprias mãos. Se formos depender dos outros, o Brasil irá para o último estágio da escala do progresso. São muitos os que, do alto de seus confortáveis que nos transformemos, em definitivo, no grande mocambo do mundo! Não aceito esse destino, assim como não tolero a atitude fatalista. Por mais longa que seja a caminhada, estou sempre pronto a dar o primeiro passo e disposto a vencê-la. Para os problemas mais graves teremos de nos munir de criatividade e paciência. Para os simples, de vontade e ação. Mas para ambos teremos de trabalhar muito – e trabalhar bem. Nada se consegue sem empenho, dedicação e muito suor. A solução está conosco, mas, certamente será laboriosa. Chegou a hora de menos discursos e mais ação. Se discursos pudessem ser computados no PIB, o Brasil estaria folgadamente entre os países do Primeiro Mundo! Esses são os princípios que nortearão as reflexos desta coluna. Os assuntos serão variados, mas todos relacionados com a vida e o horizonte da gente brasileira, tais como a questão populacional, a saúde, a alimentação e a educação do povo; a formação da família, a situação das crianças, adolescentes e idosos; a segurança da nossa juventude; a crise das instituições; a justiça; a democracia e os regimes políticos. Mas esses debates não serão propostas de governo ou falas de políticos. Eles pretendem apenas refletir a experiência de mais de 40 anos de trabalho com temas dessa natureza. Os políticos se preocupam muito com as próximas eleições. Nós, os não-políticos, temos de nos preocupar com as novas gerações. Discutiremos aqui o quotidiano, mas a ênfase será no futuro de nossa gente. |