• ARTIGOS - Economia Nacional

    Publicado na Folha de São Paulo, 26/12/99

    Ano 2000 com fé e esperança
    Antônio Ermírio de Moraes

    Ao contrário de 1998, este ano termina com um festival de boas notícias. Pesquisas de todos os tipos mostram que o catastrofismo previsto para 1999 ficou apenas na cabeça dos seus gurús e que os fatos já observados antecipam um ano 2000 de mais crescimento econômico.

    Vejam alguns deles. O setor da construção civil tem uma quantidade de lançamentos marcados para o ano 2000 que é 30% superior ao realizado em 1999. A construção pesada, que sofreu nos últimos 5 anos, crescerá 20% e tem uma gorda carteira de projetos contratados, a serem executados nos próximos três anos. Esse percentual poderá subir com a aceleração das obras das prefeituras que terão um ano eleitoral. O setor de saneamento, que poderá ser privatizado, já atrai invejáveis recursos do exterior.

    Entre os consumidores, quase 40% se dizem dispostos a comprar mais em 2000. Cerca de 82% dos entrevistados na Pesquisa CNI/IBOPE, consideram as perspectivas para 2000 como muito boas. Entre os empresários industriais de São Paulo, 74% acham que suas vendas subirão ou ficarão estáveis.

    Essa é uma pequena amostra das pesquisas. São números animadores. O ano termina com 9% de inflação mas com claros sinais de baixa. O desemprego continua na casa dos 7% mas, as novas contratações prometem baixar essa taxa.

    De onde vieram esses bons resultados? Por que a inflação não explodiu depois da desvalorização do real e do tarifaço nos preços públicos?

    Não houve milagres. Tudo isso foi fruto de enorme sacrifícios. Os trabalhadores ficaram com seu poder de compra estável - e, para muitas categorias, até baixou como foi o caso dos funcionários públicos. Os empresários entenderam que têm de conviver com menores margens de lucro e investir insesantemente na eficiência de seus negócios. Os consumidores incorporaram nos seus hábitos de compra a pesquisa de preços e a pechincha.

    O ano 2000 poderá ser bom na medida em que os agentes econômicos perseguirem o mesmo caminho. O sacrifício não acabou. E poderá ser ainda melhor se o Poder Público fizer a sua parte, contendo gastos e liderando ativamente as tão necessárias mudanças constitucionais.

    O cenário está montado. O Congresso Nacional trabalhará no recesso com uma pauta que prevê aprovar as reformas dos tributos, da Justiça, da Previdência Social e a lei de responsabilidade fiscal.

    Esses projetos são de enorme importância para alavancar a competitividade da economia brasileira, gerar empregos e tapar os grandes ralos das contas públicas. Oxalá o Congresso Nacional vote esses preciosos projetos. A fé e a esperança são os melhores remédios que conheço. Com isso, poderei dizer aos meus caros leitores: Feliz Ano Novo!

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